sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

...aprendizados, pessoas, mudanças...

Por toda minha vida as crianças me acompanharam... Digamos que sempre aconteceu em toda minha adolescência e fase adulta, ter um Erê perto de mim, pra eu cuidar, pra me cuidar, pra encantar...Camila, Kaique, Rodolfo, João Victor, Guilherme, Manu, Lori,... teve as crianças da capoeira, as crianças do reforço escolar, do centro espírita, foram muitas...
Em alguns períodos, parecia que todas as crianças me enxergavam... elas foram minhas companheiras em diversos momentos dos intervalos do cotidiano que a maior parte das pessoas gastam com namorado, com a família ou com as farras, como eu sempre fui muito só, a família não muito unida pra isso e nunca fui de farra, as crianças estavam lá pra preencher os espaços...

Nesse conjunto de vivencias, ia me sentindo mãe, ia ensaiando o que seria isso, ia tentando projetar quando isso aconteceria, sempre achei que adotaria logo, afinal, sempre foi difícil estabilidade de relacionamento...

Em paralelo a isso, não concebia como ia abrir mão de meu universo, da liberdade construída e do individualismo que me permitia fazer as escolhas que meu coração pulsava sem medo, sem culpa, sem apego ou dependência... Eu construí todas as minhas escolhas nas verdades que defendia e baseadas naquilo que eu pulsava, na paixão que me movia pela vida... O universo conspirava e eu sempre fui feliz assim, independente das coisas que me faltavam...

Sempre quis um grande amor, mas nunca passava mais de 6 meses com ninguém e achava demais casar... sempre quis um filho, mas não necessariamente uma família assim, nesses padrões... na verdade hoje eu acredito que eu queria viver a vida que eu tinha antes, com um grande amor e um filho... sem abrir mão de nada... talvez tenha sido por isso que algumas coisas demoraram de acontecer... talvez tenha sido por isso que senti Deus tantas vezes confuso com meus pedidos...

Num intervalo de menos de 2 anos, eu encontro Jefferson, me caso, engravido... e estou aqui num universo totalmente diferente do que eu pensei pra mim...

Mas existe um AMULETO e todas as coisas invertidas não necessariamente me fizeram sofrer... Vivi uma desconstrução de muitos anos de planos e projeções... depois vivi um período relativamente curto de enfrentamento de que as coisas tinham mudado, que ficou inviável não abrir mão de partes de mim...

Nessa fase eu entendi muitas das coisas que Diana me alertava em relação à vida social... os aprendizados de uma vida de solteira que eu não tinha conseguido absorver, Jefferson colocou-os quase todos na mesa, escancarados, enquanto eu resisti, foram muitas desarmonias... Mas depois, e esse depois é agora... tudo esta mais tranqüilo e pleno... e muitas dessas coisas, só se tornaram assim por eu ter aberto mão da racionalização em função dos exercícios internos de paciência, de centramento e confiança, de se colocar como o ponto principal de mudança e não o outro...

Algumas coisas foram bem incomodas de se enfrentar esse ano, com a gravidez... As limitações com o corpo, que foi ficando pesado, que me impedia de fazer as coisas que eu queria, como minhas pernas doeram quando achava que poderia ficar em pé como as outras pessoas... As exigências de disciplina com a alimentação, que eu sempre fui relaxada mesmo, todas as cobranças da família, das pessoas que compreendiam mais que eu a importância disso, essas pessoas só não compreendiam o grande esforço que eu estava fazendo, apesar de não satisfatório, pra mim, era tão absurdamente grandioso...

Talvez o mais difícil tenha sido o controle emocional... em alguns momentos eu realmente não consegui... eu não tinha como me vacinar, como me congelar e não sentir a desarmonia interna diante de inúmeras situações complicadas... acho que tive nota 5... E a todo tempo me via diante de Tita, do quanto se tornou conflituoso em vários momentos ser mãe, ser a exigência de si mesma para poder ter esperança de mudança no outro... Do quanto aquelas expressões e depoimentos dela já me tocavam antes eu entrar nessa fase, eu já sabia que seria grandioso engravidar, que seria a radicalização de muitas mudanças ou do seu esforço, agora então... noooossssaaa...

Eu me sinto um pouco como Uiliam deve estar se sentindo, à beira de um momento crucial, incerto e revolucionário da vida...

3 comentários:

  1. Ah, Say, a vida nos coloca tantas novas situações, inesperas, desafiadoras e lindas... Num breve instante nos vimos com uma vida que nunca imaginamos. E não a imaginamos mais de outro jeito... É estranho, e por isso é mágico!!!! É o impensado que se apresenta com um presente... Neste caso, dois lindos presentes!!!!!

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  2. Cartas ao público. Vc sempre escreveu meio para si, meio para o infinito. Ver e ler o seu Diário das Águas é como imaginar vc lançando garrafas ao mar...
    Sempre sem medo. Introspectiva e consciente de quem é, rs, que combinação explosiva!
    Nesses últimos tempos nada tem ficado no lugar.
    ... mas vc decidiu voltar, a menina das partidas, depois de seis meses, deciciu voltar e desde então tudo foi intenso.
    Agora o momento é novo, e nova é a sua maneira de manifestação...

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  3. ilusão achar q parimos... que damos à luz... somos paridas e trazidas a luz por eles, os filhos...

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