domingo, 8 de maio de 2011

sábado, 16 de abril de 2011

Pra Eu Parar de Me Doer Milton Nascimento

Mais que a dor do amor,
Viver a dor
Me doeu.

Eu quero mesmo é ser feliz;
Amar, amor.

Quem não semear não vai colher.
Ai de quem é um e nunca será dois
Por não saber.

Quem irá me valer?
São pessoas, é a caminhada.
Quem irá me valer?
São meus sonhos no pó da estrada.
Quem irá me valer?
É o sorriso que guardo comigo.
Quem irá me valer?
É segredo de fazer amigo.

Ai - Rubi

Deu meu coração de ficar dolorido

Arrasado num profundo pranto
Deu meu coração de falar esperanto
Na esperança de se compreendido

Deu meu coração equivocado
Deu de desbotar o colorido
Deu de sentir-se apagado
Desiluminado
Desacontecido

Deu meu coração de ficar abatido
De bater sem sentido
Meu coração surrado
Deu de arrancar o curativo
Deu de cutucar o machucado

Deu de inventar palavra
Pra curar de significado
O escuro aço denso do silêncio
De um coração trespassado

"Eu te amo - disse.
E o mundo despencou-lhe nas costas. Não havia de sofrer tanto.
O mundo pesa sobre o amor. Leveza dá pena no espaço.
E se teu amor por mais pedra não voar: liberta tuas costas do peso que não carregas.
E se teu amor por mais pena não mergulhar: vai te banhar e olha-te no olhar que não te cega.
Se teu amor te pesa mais que o mundo que carregas: degela-o e deixa-o beber os deltas."


Despedida - Rubem Braga

E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.


Extraído do livro "A Traição das Elegantes", Editora Sabiá – Rio de Janeiro, 1967, pág. 83.

alguns sentimentos, outros pontos...

Quem diria que essas águas, que tanto reinaram bênçaos estaria sob efeito das lágrimas, da dor, da ruptura.
Dificil, doer a dor, começar outro ciclo, depois de me parir com um menino, depois os 30 e da sua crise, depois de chutar o pau da barraca no trabalho, depois de ver os sonhos desmoronando... pronto: precisa refazer tudo!

talvez o mais dificil seja abrir mão dos sonhos, olhar pra eles, que foram cultivados por tantos tempos e momentos e dizer: Olha, vcs nao servem mais... vou precisar jogar na lixeira e por lá na porta pro caminhão levar...

putz é tão achar um amor, acho que tanto quanto é vc admitir e digerir que ele acabou, que rendeu o que tinha que render, que nao dá mais pra prolongar...

vixi que dificil decidir, pq envolve o coletivo, pq envolve o pequeno, pq envolve as possibilidade internas " e se eu esperasse um pouco mais..." " e se eu fizesse tal caminho..."

acredito que muitos casamentos se mantem por convenção, pq já tá junto mesmo, pq já tem filho mesmo, pq pagar as contas juntos é melhor mesmo... pq dividir patrimonio, mesmo pouco, é ruim mesmo.... e as famílias vão se formatando na naturalização do desamor cotidiano

eu abri mao
eu lavei as mãos

Ô dor da peste!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011




Se teus sonhos te perturbarem
Se ficares com medo, se tua fé te deixar
Se tu chamares por mim
Podes retornar para as profundezas do meu coração
Podes retornar para as profundezas do meu útero
Então dorme, meu anjo... dorme minha criança
Dorme, dorme

(Cantiga de ninar traduzida da língua swahili - Unganda)

Preto de tanto mar



sábado, 8 de janeiro de 2011

Presente de Diana

“...mire, veja: o mais importante e bonito do mundo é isto;
que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram
terminadas, mas que elas vão sempre mudando.
Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou.”
João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas
Quantos "agoras" perdemos, esquecendo que o risco pode ser a salvação de
muitas alegrias de nossas vidas...
O medo que nos impede de sermos ousados agora, também está nos impedindo de
vermos a linda pessoa que podemos ser.

....

Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.

Lispector